quinta-feira, 25 de março de 2021

Vestia roupa mais feminina e pedia que x tratasse por Maria

Depressa o Manel atingiu a popularidade!

Continuava a ser uma criança divertida, amiga, disputada por vários para serem os seus melhores amigos!

Vestia roupa mais feminina (calções com meias calças e camisolas da secção de menina, mas afirmava-se ser um menino.

Era aceite. Todos da turma gostavam delx!

Quando um amigo ia brincar lá a casa, continuava a revelar que por dentro era uma menina. Inclusivé por vezes, pedia ao amigo que x tratasse por Maria. E vestia estas roupas.


quarta-feira, 24 de março de 2021

O Manel, um menino que quer ser uma menina

No final das férias, na viagem de regresso, a Maria disse-nos que, chegando a Portugal, já não seria mais a Maria e continuaria a ser o Manel!

Para nós também era muito estranha esta fluidez de género. Um dia era peixe e no dia seguinte carne! (Peço desculpa por esta alegoria!)

Num dia era Manel e no outro dia era Maria…

Dali a poucos dias iria iniciar a escola primária e queria começar como Manel. Fiquei tão confusa, que me era difícil acompanhar esta fluidez de vontades, de espírito, de género… mas sabia que não podia forçar nada. Nem para um lado, nem para o outro!

O tempo foi passando e achei que estava na altura de ir a um encontro da AMPLOS.

Assim foi.

Passei a sessão toda a chorar. A chorar ao ouvir o testemunho dos outros pais, ao contar o meu.

Chorava, nem sei porquê, mas chorava…

No fim da reunião parecia sair de um funeral e com uma sensação estranha de alívio, mas ao mesmo tempo de tristeza, de luto.

Era sem dúvida uma sensação diferente, mas a verdade é que me sentia melhor, mais aliviada, mais calma… após uma sessão AMPLOS do que uma sessão de psicoterapia!

Marcámos uma reunião antes do início da escola primária. A professora, apesar de não ter entendido muito bem a situação, respeitou, acolheu-nos e não julgou!

As aulas começaram e elx apresentou-se à turma como o Manel, um menino que quer ser uma menina.

Nenhum dos colegas gozou e elx sentiu-se muito bem nesta nova turma e nesta nova escola!

Ao fim de semana e em casa, continuava a vestir-se como uma menina!

A escola é privada, com farda obrigatória. Saia e vestido para as meninas e calças e calções para os meninos. Para cima, tudo é igual!

Quando o verão acabou continuou a usar os calções da farda, mas pediu-me meia calça. Recusou-se sempre a usar as calças da farda!

Recusou-se sempre a usar as calças da farda!

Como não há calçado estipulado para a farda, elx usava sapatos, botas e sapatilhas rosas, com estrelas e brilhantes, sempre da secção feminina.

Depressa o Manel atingiu a popularidade!

As primeira férias como Maria

Fartei-me de chorar enquanto lhe comprava roupa de menina… sentia que estava a perder o meu filho!

Por mais que me convencesse que devia deixar a criança ser quem quisesse ser, que a amaria incondicionalmente fosse menino ou menina, porque o que interessa é a criança, a pessoa e não o género, por dentro sentia uma revolta enorme! Era uma luta enorme entre o consciente e o inconsciente! Porque é que tinha de me acontecer a mim?!

Por esta altura comecei a fazer psicoterapia!

Nessas férias de verão fomos para Espanha.

Aí, foi a primeira vez em que a Maria foi verdadeiramente a Maria para os outros.

Chegámos ali e como ninguém a conhecia, ninguém nos conhecia, a Maria podia ser quem quis ser. E assim foi. Sempre tratada por Maria e no feminino!

Nesta última foto estamos as 3. Eu, a irmã e a Maria!

Foram umas férias formidáveis!

terça-feira, 23 de março de 2021

Sentia que estava a perder o meu filho!

Em casa, a Maria ganhava cada vez mais projeção.


Vestia cada vez mais roupas femininas e sonhava com o próximo casamento ou festa chique que tivessemos para poder levar roupa de menina!

Por vezes pedia-me tranças e outros penteados de menina que dessem para o seu cabelo!

Mas desmanchava tudo rapidamente.

Para a escola (infantário) é que não iria assim!

Em junho fomos à nossa primeira marcha lgbt! Fiz questão de ir com as minhas crianças.

Apresentei-me à AMPLOS (Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género), fiquei com um cartão e prometi telefonar!

Nesse verão, dos quase 6, fui sozinha a mais uma consulta com a pedopsiquiatra. A pedopsiquiatra estava cada vez mais convencida que nós tínhamos uma Maria e não o Manel e como tal, a devíamos deixar ser quem era, sem complexos nem contradições! O seu destino estava traçado… não como eu o tinha imaginado, mas como elx queria!

Deixei o Manel, ou melhor, a Maria, com a madrinha e fui então comprar alguma roupa de menina.

Fartei-me de chorar enquanto lhe comprava roupa de menina… sentia que estava a perder o meu filho!

Já não escrevo aqui há muito tempo. Não o faço, por não sentir necessidade. A Maria é uma menina como todas as outras meninas de 12 anos e m...