sexta-feira, 19 de março de 2021

Posso vestir roupa de menina?

O tempo ia passando e a vontade de ser menina aumentava. O medo e a vergonha também!

Em casa, a Maria, pedia-me que que lhe pintasse as unhas e fizesse penteados!



Mas o que gostava mesmo (ainda hoje gosta, e continua a vestir) era do vestido da Cinderela que vestia sempre que algum amigo ia lá a casa.

O Manel, que dentro de casa já era Maria, sempre que um amigo lá ia a casa, perguntava se o amigo se importava que vestisse roupas femininas.

Se o amigo não se importava de conhecer o seu lado feminino, o seu eu verdadeiro, era mesmo seu amigo e convidava-o mais vezes!

Às vezes intervalava o vestido de cinderela com um vestido vermelho da irmã. Tinha um fascínio por esses vestido como nunca vi!

quinta-feira, 18 de março de 2021

Pediu-nos que lhe chamássemos Maria

Com 5 anos o vislumbre pelas roupas femininas mantinha-se, e cada vez mais usava roupa da irmã.


Em fevereiro obtivemos ajuda de uma pedopsiquiatra que nos aconselhou a deixarmos a nossa criança ser quem quisesse ser. Disse-nos que podíamos comprar roupa feminina, caso a criança assim preferisse. Sem alimentar, nem contrariar, devíamos deixar a criança escolher livremente o seu percurso.

Comprámos o primeiro vestido de princesa, já a pensar no Carnaval.


Depois da ida à pedopsiquiatra ficámos mais descansados e ao mesmo tempo assustados!

Descansados, porque já sabiamos como agir com elx, mas assustados, porque era tudo um mundo desconhecido para nós. Tinhamos receio por elx, pelo eu iria passar e encontrar e pela falta de conhecimento e tolerância dos outros.

Falámos alto pela primeira vez com familiares e amigos próximos. Alguns já se tinham apercebido e para outros foi novidade. Mas… todos nos apoiaram.

No Carnaval quis vestir o vestido de Cinderela, mas só em casa.


Vestiu-o e despiu-o e não conseguiu ir para a rua com ele! Tinha vergonha e medo do que a sociedade podia pensar, dizer e ridicularizar!

E lá fomos andando e vivendo com medo e vergonha!

A dada altura pediu-nos que lhe chamássemos Maria… mas só em casa! Na rua era sempre o Manel!

segunda-feira, 15 de março de 2021

Com vontade de ser... e sem ajuda!

Inicialmente foi um choque. O pai dizia que a culpa era minha, porque alimentava o seu lado feminino, que não x devia deixar usar saias, não devia dar-lhe tantos brinquedos femininos…

Escondemos tudo o que era saia, vestidos, etc…

Mas o Manel não se deixou ficar. A sua imaginação ia mais longe… com mantas e molas fazia vestidos compridos. Com toalhas, imitava perucas…

Tentámos dar «Ronaldos», «Homens aranha» e «Super homens» e trocámo-los pelas Barbies, mas não surtiu efeito. As Barbies casavam-se com estes bonecos!

Tentei afastar-me. O Manel era assim porque passava muito mais tempo comigo e com a irmã do que com o pai!

Mas… quando demos conta, estavam os dois a brincar com Barbies e ao faz de conta com bonecas e casinhas!

Depois conversou comigo… devia ter 4 anos e meio… Queria ser uma menina!

Procurámos ajuda.

O primeiro psicólogo não ajudou. Desconhecia a matéria e imputou a culpa aos desenhos animados da Disney!

O segundo psicólogo, recomendado por uma associação LGBT, tão pouco percebia do assunto… estávamos de mãos atadas e não sabíamos que fazer…

Entretanto o Manel crescia, crescia e o seu gosto pelo lado feminino também!

Na escola, nas brincadeiras do faz de conta, tomava sempre o papel da mãe. Quando esse papel já estava escolhido, fazia o de filha, de tia, de irmã,… mas sempre, sempre! papel feminino!

E, como não tinha saias, começou a usar as da irmã! Saias e perucas!


Já não escrevo aqui há muito tempo. Não o faço, por não sentir necessidade. A Maria é uma menina como todas as outras meninas de 12 anos e m...