sexta-feira, 7 de maio de 2021

Quando contamos às pessoas...

 

Quando contamos às pessoas que para nós são importantes (pensamos nós!) que afinal temos uma filha e não um filho, temos bastantes surpresas.

De início, o medo da não aceitação é terrível. À medida que fui contado às pessoas próximas fui-me apercebendo que vivo rodeada de pessoas que são muito mais respeitadoras da diferença do que imaginava.

Claro que nem tudo foi perfeito! Tive uma má experiência de uma pessoa próxima, que me dizia muito, mas também tive reações muito boas, e até de quem menos esperava!

É engraçado como avaliamos mal as pessoas! O saldo, por agora, é positivo! E largamente favorável! São mais as pessoas respeitadoras da diferença do outro!

A aceitação para nós, pais de trans, é muito importante, mas também conseguimos julgar e entender quem são de facto os nossos verdadeiros amigos, quem vale a pena ter ao nosso lado e na nossa vida! Estas reações acabam por ser um filtro, um funil da amizade. Quem não entende, não interessa estar cá, na nossa vida, no nosso seio familiar!

 

Dos outros, não quero preciso que me entendam e me apoiem, preciso sim que nos respeitem…

E os amigos a sério, já sei quem são!

terça-feira, 4 de maio de 2021

PROTECT TRANS KIDS!

Ontem fui abordada, nas redes sociais, por um curioso.

Fez-me muitas perguntas sobre o universo das crianças trans, que não conseguia entender as crianças trans.

Perguntou-me a idade da Maria neste momento, quando tinha feito a transição e quando tinha sabido que queria ser trans!

Meu Deus… ninguém quer ser trans, que ignorância…

Queria conhecer pessoalmente uma criança trans? Para quê? Respondi-lhe que as crianças trans são crianças, como as outras, que querem brincar, ser felizes e protegidas e amadas pela família. As crianças trans são iguais às outras crianças. Ainda por cima numa idade em que a sexualidade não existe, as crianças trans são crianças! Ponto!

Ainda acrescentei que as pessoas trans, os adultos trans, também foram crianças!

Escolheu uma foto da Maria que publiquei e disse-me sobre a foto que parecia mesmo uma menina! Não parece, respondi-lhe, é uma menina!

Ainda perguntou se não se notava o volume nas cuecas. Oh senhor. Que volume? É uma criança!!!

Como a Maria lida com isso?

Já chega, disse-lhe. Crianças são crianças. Brincam, são divertidas e não têm malícia. A maldade vem da cabeça dos adultos, que alguns passam para as crianças!

A Maria sente-se bem em ser ela própria. Sei que é feliz e sinto-me bem comigo mesma por ajudar a concretizar essa felicidade, deixá-la ser ela e permitir-lhe que seja feliz!

Este curioso no fim pediu-me desculpa e apesar das perguntas, não foi mal educado… mas nem todos os «curiosos» são só curiosos!

Precisamos de proteger as nossas crianças.

Já não escrevo aqui há muito tempo. Não o faço, por não sentir necessidade. A Maria é uma menina como todas as outras meninas de 12 anos e m...