segunda-feira, 15 de março de 2021

Com vontade de ser... e sem ajuda!

Inicialmente foi um choque. O pai dizia que a culpa era minha, porque alimentava o seu lado feminino, que não x devia deixar usar saias, não devia dar-lhe tantos brinquedos femininos…

Escondemos tudo o que era saia, vestidos, etc…

Mas o Manel não se deixou ficar. A sua imaginação ia mais longe… com mantas e molas fazia vestidos compridos. Com toalhas, imitava perucas…

Tentámos dar «Ronaldos», «Homens aranha» e «Super homens» e trocámo-los pelas Barbies, mas não surtiu efeito. As Barbies casavam-se com estes bonecos!

Tentei afastar-me. O Manel era assim porque passava muito mais tempo comigo e com a irmã do que com o pai!

Mas… quando demos conta, estavam os dois a brincar com Barbies e ao faz de conta com bonecas e casinhas!

Depois conversou comigo… devia ter 4 anos e meio… Queria ser uma menina!

Procurámos ajuda.

O primeiro psicólogo não ajudou. Desconhecia a matéria e imputou a culpa aos desenhos animados da Disney!

O segundo psicólogo, recomendado por uma associação LGBT, tão pouco percebia do assunto… estávamos de mãos atadas e não sabíamos que fazer…

Entretanto o Manel crescia, crescia e o seu gosto pelo lado feminino também!

Na escola, nas brincadeiras do faz de conta, tomava sempre o papel da mãe. Quando esse papel já estava escolhido, fazia o de filha, de tia, de irmã,… mas sempre, sempre! papel feminino!

E, como não tinha saias, começou a usar as da irmã! Saias e perucas!


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