Inicialmente foi um choque. O pai dizia que a culpa era minha, porque alimentava o seu lado feminino, que não x devia deixar usar saias, não devia dar-lhe tantos brinquedos femininos…
Escondemos tudo o que era saia, vestidos, etc…
Mas o Manel não se deixou ficar. A sua imaginação ia mais
longe… com mantas e molas fazia vestidos compridos. Com toalhas, imitava
perucas…
Tentámos dar «Ronaldos», «Homens aranha» e «Super homens»
e trocámo-los pelas Barbies, mas não surtiu efeito. As Barbies casavam-se com
estes bonecos!
Tentei afastar-me. O Manel era assim porque passava muito
mais tempo comigo e com a irmã do que com o pai!
Mas… quando demos conta, estavam os dois a brincar com
Barbies e ao faz de conta com bonecas e casinhas!
Depois conversou comigo… devia ter 4 anos e meio… Queria
ser uma menina!
Procurámos ajuda.
O primeiro psicólogo não ajudou. Desconhecia a matéria e
imputou a culpa aos desenhos animados da Disney!
O segundo psicólogo, recomendado por uma associação LGBT,
tão pouco percebia do assunto… estávamos de mãos atadas e não sabíamos que
fazer…
Entretanto o Manel crescia, crescia e o seu gosto pelo lado
feminino também!
Na escola, nas brincadeiras do faz de conta, tomava sempre o papel da mãe. Quando esse papel já estava escolhido, fazia o de filha, de tia, de irmã,… mas sempre, sempre! papel feminino!
E, como não tinha saias, começou a usar as da irmã! Saias e perucas!


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