Um dia, ainda fechados em casa, a Maria recebeu uma carta da professora da
escola! Toda ela pulava alegria quando lhe disse… mas essa alegria foi
rapidamente substituída por um grande sentimento de revolta e tristeza. A carta
vinha endereçada ao Manel! Até me disse - mas a carta não é para mim. Repara no
nome que vem escrito!
Também fiquei triste… como é que pequeninas coisas, como no envelope vir o
seu nome oficial, podiam deitar a baixo sonhos e alegria?!
E a professora já a chamava de Maria! A professora apoiava-a, mas…
utilizou o deadname!
Porque não a registámos como Manuel Maria?
Por estes dias, num dia em que a fui deitar, falávamos de medos e
contou-me do medo terrível que tinha da nossa família se separar. E contou-me
como era feliz na nossa família! Senti-me muito orgulhosa e ao mesmo tempo
perguntei-lhe se não era feliz como Manel, como menino. Respondeu-me que sim,
que era feliz como menino, mas que era muito mais feliz como menina… e como se
fosse uma criança adulta disse-me «Agora que sou menina parece que sou outra
pessoa... sinto que voltei a nascer!».

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