Houve um dia que teve a festa de aniversário de um coleguinha da escola e pediu para usar saia!
Foi muito complicado… nós queríamos proteger a criança da sociedade e não
sabíamos como reagir. Deixamos ir de saia?
Pensámos muito e achámos que era melhor não! Os outros pais não estavam
preparados e… embora não admitissemos, nós também não! Foi de calções com
meia-calça!
Mais tarde arrependi-me. Não permitimos que x nossx filho fosse quem era!
A partir desse dia começou a fechar-se e a colocar as saias de parte!
Um dia, ao chegar a casa, pediu para cortar o cabelo rapadinho, que já
estava pelos ombros! Aliás, tirando uma vez que apanhou piolhos, usava sempre o
cabelo para o comprido, género tigela!
Mas quando lhe perguntei se tinha mesmo a certeza, disse-me que não, que
lhe tinha custado tanto a crescer que o cortaria só depois do Carnaval! (Isto
foi antes do Natal!)
O nome Maria também ficou adormecido!
Acordava apenas após as sessões de psicoterapia!
Apesar de tudo e desta fluidez de género, o gosto pelo mundo feminino
mantinha-se e às escondidas ia à minha (pouca) maquilhagem e pintava-se!
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